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PLAY!



Há alguns anos, o beach tennis era “mais uma atividade” que eu tinha na minha rotina de trabalho. Mas, já faz uns anos que eu praticamente respiro raquete, bolinha, areia, etc.


Como tenho contato com a modalidade desde sua chegada no Brasil em 2008, tive o prazer de vivenciar o passo a passo dessa jornada progressiva de “ganho de território” das quadras de areias.


Por ser muito parecido com o tênis, foi e é natural que muitos professores do tênis tenham certa resistência em cogitar colocar o beach tennis entre suas atividades profissionais. Eu costumava brincar com alguns amigos e fazer analogia com a chegada dos apps de transporte privado (Uber, 99, etc) ao mundo dos táxis.


Eu dizia: “O beach tennis para o professor de tênis é como o motorista antigo de táxi com a chegada do Uber. É preciso se mexer, vem aí um movimento para tirar muita gente da zona de conforto. Ou seja, se você for ligado, pode agregar o beach tennis no seu portifólio de produtos. Se você quiser ter problemas, simplesmente ignore e saiba que você vai ter uma concorrência forte”.


Eu fiz o movimento contrário, coloquei um projeto criado por mim, no Power Point, embaixo dos braços e fui, de clube em clube daqui de São Paulo, quase implorando que me disponibilizassem uma quadra de areia. A oferta era irrecusável, pelo menos do meu ponto de vista: o clube me cedia uma quadra de areia, eu levava rede, postes, linhas, raquetes, bolinhas and o meu trabalho.


Ou seja, ZERO custo para o clube e a oportunidade de ser pioneiro do setor de clubes da capital a oferecer aos seus sócios uma modalidade nova. Além, obviamente, de “dar uma mordida da minha pizza”, já que uma porcentagem do valor pago pela aula ficaria para o clube.


Mas, o que eu mais escutei foi: “Beach Tennis? O que é isso? Você acha mesmo que as pessoas vão gostar?”. Obviamente, meu entusiasmo já dava todas as respostas da melhor maneira possível e eu voltava para a minha casa com mais uma promessa do gerente de esportes de tal clube “analisar e me retornar”...


Como eu precisava que o clube tivesse uma quadra de areia, selecionei todos os clubes que tivessem essa estrutura mínima. Mas, por ironia do destino, o gerente de esportes de um clube que não tinha espaço de areia, soube do meu movimento e me procurou.


Assim, começaram as aulas de beach tennis na capital paulista! Dois meses depois, outros clubes souberam que a novidade tinha sido bem aceita e me procuraram também.


De repente, me vi com a necessidade de ter mais professores trabalhando comigo. Como joguei tênis por quase 20 anos, conversei com um conhecido, que dava aulas de tênis naquele momento e fiz o convite para que começasse a dar aulas na areia.


Ele topou, o movimento era muito de crescimento, até que um dia tive uma conversa franca com ele. Disse: “Nossos horários estão lotados, preciso que você abra mais agenda”. Ele respondeu com uma frase, que nunca mais saiu da minha cabeça:

“Marcela, tênis é minha vida, não vou deixar de dar aulas de tênis pra dar de beach”.


Ele escolheu agir como o taxista que se recusou ao mundo dos apps... Mas, por sorte dele e do beach tennis, já que é um excelente professor, meses depois refletiu e decidiu “arriscar”.


Hoje, a vida do Ed é 100% beach tennis! Ele, não só dá muitas aulas, como coordena uma academia e disputa campeonatos pelo mundo todo.


Contei essa história toda porque é muito provável que você já tenha escutado alguma conversa sobre beach tennis e tenha recebido um convite para jogar. Qual foi a sua resposta? Você respondeu como “taxista antenado ou alienado”?


Torço para que você já tenha jogado ou para que considere experimentar colocar o pé na areia e dar umas raquetadas!


Independente da sua resposta, gostaria de fazer um alerta: cuidado, ele vicia!


Marcela Evangelista




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