A paixão


*Essa escultura retrata o momento da desilusão, que mágica acaba.

Bronze/ março 2020.



"A paixão não se trata de calendário mas sim de tempo e esse não é medido em números.


Tido como o principal símbolo do amor e da paixão, o Cupido na mitologia romana, é representado como uma criança pra retratar a pureza e ingenuidade. Um menino alado travesso e brincalhão que dispara suas flechas em homens e mulheres indiscriminadamente. Ou seja, é uma coisa mágica que nos toca, confunde e distrai.


Não é a toa que o significado derivativo, que vem do grego pathos, de paixão é sofrer.  E vai além dessa bagunça bioquímica, envolve cheiros e gostos e os sintomas são borboletas no estômago, suor, falta de apetite e perda de sono. A mágica é química.


Em média a pessoa fica sob esse efeito "mágico" de um a três anos, tempo suficiente para casar e ter filhos.


Pensando aqui comigo dentro do meu isolamento proposital indago, quem confia num menino alado zombeteiro ingênuo, ou pior, como acreditar numa escolha, às vezes pra vida, dopado?


Não que tenha feito diferente, mas em tenra idade é mais fácil termos absoluta certeza de que daquela paixão, que é avassaladora, vá durar para sempre. Coisa que não devia acontecer quando mais velhos. Porém acontece, graças a Deus, assim nos mantemos vivo e pulsante (sic).


Se apaixone sempre e todos os dias pelas coisas que ama fazer ou pelas pessoas que curte estar, mas tudo com prudência, se for possível. Senão, silencie.


Keli Lambert 







*clique AQUI para mais textos de Keli Lambert.

© 2020 - Eu não anoto nada - por Tati Montenegro

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