AGORA



Sem poder sair de casa, pelos compromissos óbvios com a civilidade que o vírus nos impõe, e-mails, WhatsApp, Instagram a fazer buuuu me aterrorizando com trabalhos, trancafiei ouvidos e consciência no "modo avião" e dei sorte.


Achei, no Canal Brasil, um canal que quase nunca assisto, uma série chamada “Confissões de mulheres de 50 anos”, uma coisa parecida com “Confissões de Adolescentes“, cujo criador só poderia ter sido Domingos de Oliveira, aquele gênio-maluco-sedutor-sem educação, que embora pudesse, com um sorriso e com uma palavra, fazer qualquer mulher se sentir a mais inteligente, mais gostosa e mais maravilhosa de todo o Rio de Janeiro. Porque é onde a história é contada.


A série incrível, narra a amizade de mais de 30 anos de 4 mulheres que passaram por muitas coisas juntas, não se viam com a frequência de sempre mas o final do casamento de uma delas irá determinar novos reencontros semanais no lugar tradicional de sempre.


Sex and the City?


Perde!!!


São mulheres maduras, engraçadas, com rugas e sem rugas, com botox e sem botox, são atrizes é claro, mas a cara muito limpa, um trabalho de cinema meio artesanal.


Como super amigas confessam coisas, pequenos e grandes pecados cometidos umas com as outras. Caras e bocas. A prosa é impecável. O texto é lindo, humor forte, delirante, mulheres falando sem parar enlouquecidas como somos quando estamos entre nós que nos amamos tanto e quando confiamos nossas vidas às nossas amigas.


Nesses tempos de Covid, fui às lagrimas. Chorei baldes com vontade de ver minhas amigas, beber qualquer coisa acompanhada e rir a valer de todas as bobagens que falamos ou chorar no ombro delas quando tudo dá errado.

Em um bar tradicional da zona sul do Rio de Janeiro, em frente ao mar, elas vão falar de suas vidas, seus objetivos profissionais alcançados e não alcançados, vão falar das suas decepções com companheiros , vão celebrar a possibilidade de ainda poderem se encontrar uma vez por semana, quem sabe para “encher a cara” quem sabe para ”chorarem juntas” sobre o que ainda querem fazer ou sobre o que ainda podem fazer uma pela outra. Vão falar de amizade.


Uma das partes, dos episódios, que mais me emocionou, foi um diálogo em que as amigas dizem que, quando eram jovens, tinham pressa e sempre falavam: "- Se eu não fizer isso agora, não vou fazer nunca! Tenho que fazer agora!”.


Uma delas, num momento de lucidez, de uma clareza luminescente, diz: “- Agora, chegamos a uma idade em que, se não fizermos agora, vamos fazer agora!".


É quase uma epifania! Adorei! Muito genial! Afinal não é a velhice, é a natureza do tempo, é enxergar que há uma mentira implícita que no envelhecimento, no amadurecimento, tem que dar tempo para tudo quando na verdade não dá! As coisas têm que ser escolhidas, bem escolhidas, porque nessas escolhas estão as nossas futuras felicidades, estão nossas futuras saúdes, estão nossos futuros sonhos.


Agora vale muito viver o presente, fazer agora o que queremos buscar agora para ser mais felizes.


Escrever para o EU NÃO ANOTO NADA, faz parte disso: viver no presente, viver num presente quase quântico, no presente em que não sou só uma, no presente em que sou várias e no presente que escolho ser feliz em vários momentos em que as coisas podem ir bem e em que as coisas podem não ir tão bem.


Essencialmente é apostar no dia de hoje porque hoje é agora.


Ludmila Antunes





*Mãe e dona de casa , professora universitária, filmes , livros, café , viagens e frio. Virginiana.


© 2020 - Eu não anoto nada - por Tati Montenegro

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