Diana




Conversando com um e com outro, vou fazendo aquilo que tanto gosto, contemplando o comportamento humano e vendo a vida como ela é, lá pelas bandas de Moreré ( praia na Ilha de Boipeba, município de Cairu-Bahia).


No minúsculo mercadinho, conheço Diana, dona de um mal humor dos diabos, a distribuir patadas e exibir a cara feia a todos que se aproximavam.


Pergunto aos Meus Botões:


- O que se será que se passa com Diana?


E já me antecipando à grosseria que, por ventura, poderia me atingir em meio ao silêncio de um lugar, que às vezes parece ter parado o tempo, eu, que não sou besta nem nada me dirijo à Diana perguntando:


- Oi Bonita, tudo bem com você?


No caixa da birosca, a menina com nome e porte de princesa, abre o choro e em soluços me conta que seu sonho era conhecer Salvador, trabalhar e morar na metrópole, mas seu noivo, partiu para lá sem dizer um tchau, levando suas economias juntadas às duras penas de um emprego sazonal e da venda de queijadas nas areias quentes dos domingos onde o sol e os visitantes mostraram as caras.

Tentando consolar Diana e indignada com o cafajeste a quem ela reputava “noivo“, rogo para que não desista de seu sonho, venda mais queijadas e não dê notícias sobre suas economias a quem quer que seja.


Ela em lágrimas me diz:


- Mas como eu vou? - Diana, você vai com suas próprias pernas! Aliás, elas podem lhe levar aonde você quiser ir... A menina se anima um pouco, mas fragilizada questiona:


- Sem um homem pra me defender?


- Diana, você não precisa de ninguém pra lhe defender! Basta fazer aquela cara feia que sabe fazer que ninguém chega nem perto


E Diana insiste:


- E quem vai me proteger? Respiro, vejo um quadro na parede e digo:


- Jorge, Diana, Jorge! - Que Jorge? - ela indaga.


- O que mesmo que derrotou o dragão. - e aponto para o quadro.


Diana seca as lágrimas e, talvez despertando para a própria grandeza, repete meio alegrinha, Jorge!”


- Esse, minha filha, pelo menos não vai meter a mão em suas economias!


Então, a garota com novo humor, repetindo o nome de Jorge, diz para a si mesma:


- Diana, Diana, Diana..., enquanto Caetano canta para todas nós:


"Você é forte/Dentes e músculos/Peitos e lábios/Você é forte/Letras e músicas/Todas as músicas/Que ainda hei de ouvir..."


Claudia Lacerda






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© 2020 - Eu não anoto nada - por Tati Montenegro

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