Ir para Voltar (texto de março de 2015)



O que é melhor: viajar para um lugar novo ou rever algum já conhecido? Parece que quanto mais viajada eu fico, maior parece ser o dilema.


Por conta do meu trabalho, minha vida é viajar, diariamente. Eu escolhi fazer roteiros de viagens como profissão e a cada roteiro que vou desenvolvendo vou viajando, retornando inúmeras vezes aos mesmos lugares. Os mesmos museus, os mesmos parques, os mesmos restaurantes… E não enjôo. Nunca!


Porém, já me aconteceu de voltar para uma cidade onde absolutamente não tinha nenhuma intenção de voltar, mesmo tendo gostado bastante da primeira vez, e experimentar uma sensação bem diferente.


Passamos por fases na vida, algumas são duradouras, outras bem passageiras. Tem lugares que já estiveram na minha “lista de desejos” e que atualmente acho que não iria nem se ganhasse a viagem de graça. Já faz um tempo que acabo viajando com mais frequência a lugares que me fascinam, do que a lugares novos. Acho que a falta de pressa e a excitação da primeira vez deixam as coisas mais tranquilas e acabo fazendo somente o que estou a fim e não necessariamente o que guias de viagem e minhas pesquisas me “mandaram” visitar! E olha que tem alguns desses aos quais já voltei muitas vezes, como é o caso de Nova York, Paris, Londres, Roma, Buenos Aires,...


Sei que são destinos mais do que óbvios mas já faz tempo que deixei de ser turista nessas cidades, conheço quase todos os bairros, os restaurantes onde os locais vão, as lojinhas escondidas,...Na maioria das vezes já nem fico em hotéis, prefiro flats ou apartamentos, que me proporcionam uma sensação ainda maior de fazer parte do lugar, de estar morando lá, ainda que por dias ou semanas...Gosto da idéia de ser uma forasteira e ter a chance de brincar de “local”.


Às vezes gosto tanto de um lugar que fico criando maneiras mirabolantes de dar uma “passadinha” por lá a caminho de outros destinos. Tenho que confessar que muitas vezes escolho a companhia aérea mais pela possibilidade de fazer uma paradinha nos meus lugares preferidos do que pelo preço ou programa de milhagem...Fui para o Egito com a Alitalia porque precisava ver Roma de novo. Para a Tailandia e Bali voei com a South African Airways para parar na África do Sul. Para o Tahiti optei pela Air New Zealand para poder dar uma esticadinha na California na ida e em Nova York na volta. Para o Marrocos, usei a Easy Jet para voar de Madrid para Marrakesh e depois de Casablanca para Paris.


Para a Turquia fui com a Lufthansa simplesmente pelo prazer de aproveitar o free shop de Frankfurt (Que vende uma marca de chocolates dinamarqueses que eu adoro!). Para a Grécia dei um jeitinho de ir via Londres, já não me lembro com qual companhia aérea.


Mais recentemente, tenho aproveitado a grande oferta de voos da TAP desde várias cidades brasileiras para dar uma paradinha na linda e renovada Lisboa. E teve a vez em que embarquei com minha mãe em uma jornada louca. Primeiro voamos de São Paulo para Nova York com uma tarifa promocional da antiga Continental Airlines (Que foi comprada pela United Airlines). Do aeroporto fomos para a estação e pegamos um trem para Washington. De Washington voamos para Londres com a Virgin Airways. De Londres para Paris fomos de Eurostar. Na volta, em um único dia estivemos em 3 cidades: amanhecemos em Paris, pegamos o Eurostar para Londres, almoçamos por lá, pegamos um voo da Virgin para Nova York e chegamos lá no mesmo dia, à noite. No total esse périplo todo não durou mais de 10 dias! Hoje eu já não teria esse pique todo e prefiro ficar mais tempo em menos lugares.


Mas, na contramão desse pensamento, tem gente que sai de férias com o objetivo, como viajante, de “ticar” novos lugares. Esses quase nunca repetem algum destino. Mesmo quando viajam a trabalho tentam dar um jeito de escapar até mais uma cidade ou mesmo país vizinho, nem que seja para passar umas poucas horas. Gostam de roteiros que passam por 15 países em 30 dias. Fazem bate e volta entre Amsterdam e Bruxelas, Londres e Paris, Madrid e Sevilha, Lisboa e Porto, Roma e Florença, Nova York e Washington... Como se fosse possível conhecer verdadeiramente esses lugares em tão pouco tempo!

Para finalizar, copio aqui a opinião da Patricia de Camargo, do blog Turomaquia.com, que eu adoro acompanhar: “Os destinos são como as pessoas, com algumas você tem este “feeling”. Este sentimento estranho e ao mesmo tempo agradável de conhecer há tanto tempo, mesmo quando acabou de ser apresentado. Este feeling inicial pode gerar uma onda energética tão boa, que todo o universo conspira para aumentar ainda mais esta proximidade. Ou seja, é aquela viagem em que tudo sai tão bem, que na despedida você quase chora. Caso você seja do tipo durão, ao menos pensa: “Oxalá, eu volte aqui!”(...) Os lugares são como pessoas. Merecem uma segunda chance. Quem sabe deveríamos utilizar as palavras da Clarice Lispector: “Decifra-me, mas não me conclua, eu posso te surpreender”.


Abraços e até a próxima semana!


Maria Tereza De Iullis



*Caso alguém tenha algum comentário mais longo ou queira partilhar algo comigo, esse é o meu contato: tekabahia2012@gmail.com. *Clique aqui e leia mais "FORA da CASINHA"

© 2020 - Eu não anoto nada - por Tati Montenegro

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