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O Cinema



Eu adoro ir ao cinema desde criança.

Os primeiros filmes da minha vida no cinema foram lá em Santo André, no Cinema Tangará. Eu assisti a vários filmes do Mazzaropi e dos Trapalhões - eu simplesmente adorava! Sem querer, entregando a minha idade, rsrsrs.


Adorava toda a preparação anterior à chegada ao local. A roupa que eu usava, afinal a minha mãe só deixava usar roupas de sair, para sair! Eu gostava até de pegar o ônibus para chegar lá, isso já indicava uma viagem. Acho que era o início de uma certa liberdade!


Eu ficava animada até com a fila para entrar no cinema, prestava atenção nas pessoas e apreciava o lindo prédio do antigo cinema Tangará que já não existe mais. Sei que tínhamos também o Cinema Tamoio na cidade.

Foi num deles que meu pai e minha mãe se conheceram. Na fila, na época em que a mulher usava vestido, cabelo arrumado e sapatos de saltinho para sair, e o homem, de terno, sapatos bem engraxados e cabelo com brilhantina no estilo anos 60.


Ah, deve ter sido muito bom viver na época em que a moda e o estilo saíam diretamente dos filmes do Elvis Presley para a fila do cinema. E hoje em dia, minhas filhas sempre comentam “look what she is wearing to go to the movies!” (Olha o que a mamãe está usando pra ir ao cinema!). Muito longe do estilo dos meus pais lá atrás, mas também não vou de calça de moletom e Birkenstock , como elas fazem! Elas dizem it’s comfy(é confortável), eu me visto como uma mulher que está saindo de casa, né? E me agasalho já que o ar condicionado está sempre numa temperatura de se congelar e perder o atenção!

Voltando para Santo André, depois de um tempo construíram o Studio Center, um shopping pequeno também em Santo André, que luxo - eu achava o máximo , e lá tinha uma sala nova de cinema, ampla!


Eu assisti E.T. The Extra-Terrestrial e depois Purple Rain com Prince, entre outros filmes e aí foi sedimentada a minha paixão com a tela grande!

Passados os anos, já estudando e trabalhando em São Paulo, eu adorava o cinema da Belas Artes na Consolação, e mostras no MIS, mas confesso que pesava no meu orçamento ir ao cinema com frequência. Quando fui morar em Londres para estudar inglês, eu amei a experiência de assistir a um filme sem ser dublado - aí eu me apaixonei mesmo!


Quero saber as palavras escolhidas na língua do filme, o momento que a fala sai da boca do personagem e se combina com a cena! Eu me recordo bem assistindo Dance with Wolves com Kevin Costner, e Thelma and Louise, em Londres! Mas claro que tem limite, não sei tantas línguas assim.

Eu estou me lembrando agora de uma passagem interessante, de ter ido ao cinema, no Belas Artes em São Paulo para assistir Man in Black, 1997 - achei o filme okay, mas prestei atenção nas cenas em NYC, e a minha vida continuou.


No mesmo ano vim para NYC pela primeira vez, e o que me marcou no caminho de carro do aeroporto JFK para Manhattan foram as Torres de Observação no Flushing Meadows Park em Queens, e reconheci as torres onde o filme Man in Black tinha sido gravado, ou seja, minha primeira memória e conexão com a city. Da tela para a realidade!

Já morando em NYC eu peguei o hábito de ir ao cinema com frequência. Para filmes mais alternativos e independentes, meu lugar favorito passou a ser o Quad Cinema no bairro Village, e tinha também o Angelika no Soho, ainda ali, e o Landmark Sunshinemais na rua Houston que fechou. Além das salas do Lincoln Center, área cheia de eventos culturais, e o The Paris Theater na rua 58, ao lado do Plaza Hotel, eu achava um charme, mas um pouco distante pra mim!

Depois vieram as filhas, pausa no cinema! Quando minhas 2 e depois 3 filhas eram pequenas, eu até conseguia dar uma escapada no meio do dia pro cinema sozinha - silêncio, foco e cultura ou distração, era tudo que eu queria quando precisava de um break da rotina pesada com as 3 e todas as atividades e tudo mais da vida! Até uma sonequinha eu tirava!


Na época, não ia muito ao cinema com o marido à noite, uma saída para o cinema com um jantarzinho ou um apenas um drink custava uma fortuna, já que se paga a baby-sitter (babá) por hora, e fora a preocupação de deixar 3 crianças pequenas!

Agora com as meninas bem crescidas, eu vou ao cinema frequentemente. Fico feliz com isso, e I definitely don’t take it for granted (eu valorizo e agradeço pela possibilidade de poder ir ao cinema)!

Com o passar do tempo, vieram as inovações, dentre elas o IPic Theaters, aquela saída diferente, onde pode-se pedir comida e bebida enquanto se assiste ao filme. Eu gosto do passeio, mas prefiro o escurinho do cinema numa sala comum e minha pipoca na mão, e o silêncio sem gente andando para lá e para cá.


A sensação é de que eu vou ser lançada para o espaço - adoro!

Temos ainda os cinemas mais comerciais, onde passam os filmes hollywoodianos, que também assisto bastante. Moro a menos de 5 minutos de um cinema. E, detalhe, já fui muito com amigas, mas gosto também de ir sozinha e quase deitar naquela poltrona confortável, numa sessão matinal ou na hora do almoço.


Às terças-feiras, a entrada para o cinema custa 1/3 do valor, no momento US$ 7. Só é preciso tomar cuidado para não se gastar mais na pipoca e no refrigerante, ou na água com preços que deveriam ser proibidos por lei.

Outro dia queriam cobrar quase US$ 6 por uma garrafinha d’água, era para minha filha que não vive sem água, mas eu não tive dúvida e falei para a atendente no caixa, “pode tirar, não posso aceitar em pagar esse valor”.

As minhas filhas já me perguntaram como pode eu assistir a tantos filmes. Eu só digo, eu adoro! Eu acho tempo.


E quanto ir ao cinema, às vezes uma delas acha desperdício de tempo quando a temperatura está boa lá fora ou durante o dia (lembre-se que moramos em NY, e a temperatura boa tem grande valia), “e se o filme não for bom”? Para mim, só é um ganho - eu ganho muito com as minhas idas ao cinema, entro animada e saio como se tivessem me transportado para dentro da tela!

Ah, como falei acima já tirei sonecas no cinema.


Durante o verão em NY, eu ia muito ao cinema com as minhas filhas quando crianças. Sabe todos aqueles filmes para criança? Então, assisti!!! Até o dia em que elas começaram a querer ir com a amiga, amigos ou um paquera (palavra antiga, né ). A gente comprava a pipoca, as balinhas e o slushie colorido (tipo uma raspadinha) no sabor frutas silvestres, cereja, limão, mas na verdade, o que vale mesmo são as cores azul, vermelha e branca - era uma diversão!

E em vários filmes, eu ia, ria com elas e elas riam de mim, quando eu dormia um pouquinho. Falando em dormir, esses dias fui ao cinema sozinha, adorei o filme, ri, me distrai, mas teve um certo momento que parece que uma cena não encaixou direto na outra, e aí me dei conta que tinha dormido uns minutos!! Oopps, não estou guardando segredo nenhum! rsrsrs

Eu admiro a capacidade de uma uma pessoa, ou um grupo, de colocar uma ideia em cenas que se desenvolvem e se unem, e com palavras, criando uma história em aproximadamente 90 minutos que nos causa emoção, nos surpreende, nos faz pensar ou apenas nos distrai!

Podemos assistir a um filme em casa, mas para mim a sensação de assistir a um filme no cinema é um experiência que transcende a razão.

Até a próxima!


Rose Sperling




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