O Crime da Mala



Ser paranormal é mover objetos, ler mentes, prever o futuro? Será que existe isso? Será um evento cerebral ou espiritual?


Talvez, ao ler esta coluna, você se reconheça um paranormal. Mais interessante será quando você perceber que, ser paranormal é ser o mais normal dos mortais. E você está entre eles. Você tem medo da sua mente? Vasculhar a mente humana pode ser assustador. Mas, pode ser revelador. Quebrar as leis da Física pode ser divertido. Objetos não voam! Pois, te digo: Voam, sim. Vamos explorar esse Universo? Nada melhor do que uma boa história para ilustrar o poder da mente humana.  “Estava eu, lá pelos anos 90, treinando arduamente meditação em minha casa. Meu pequeno sofá...esse viveu muito evento paranormal. Nesse treino inicial de meditação, sem um mestre ou livro, eu tocava um CD com sons dos animais: conversa entre baleias, golfinhos e pássaros. E ficava ali, mergulhada naquele mundo por um bom tempo. Só deixava a mente divagar. Minhas sensações não saíam do tremor nas mãos e da sensação de leveza no corpo. O tremor sempre tive, tremor essencial. Aumentava durante essas práticas, mas nada que chamasse minha atenção.

Mas, num dia, tudo mudou. Estava mergulhada na conversa entre as baleias e senti a parede da sala, atrás de mim, se abrir. Não me virei para olhar. Apenas vi um local escuro. Minha mente, assustada, correu para olhar o que acontecia. Era uma praia. Sem ondas. Era a  praia de uma represa. No chão, uma areia grossa, cinzenta e com pedregulhos. A mente ficou curiosa com a novidade e percorreu todo o local. Apressada, tinha medo de perder aquela imagem. Com os olhos fechados, no meu sofá, enxerguei todos os detalhes. Era noite no meu sofá e noite na represa. Vi um homem. Estava vestido com terno bege, camisa branca e gravata. O sapato era bico fino, marrom. Ele mexia numa mala que estava no chão. Fui, curiosa, ver o que havia dentro da mala. Minha mente voou para cima da mala aberta e vi algo que me transformaria  para sempre. Era um corpo. O corpo de uma menina morta. Estava em pedaços. Minha mente percebeu que era uma menina. Não vi rosto, mas era uma menina. Nesse momento, meu coração disparou. Eu nunca tinha visto um corpo em pedaços. Com o impacto daquela cena, olhei para o homem. E, aí, o evento tomou um rumo inesperado. O homem parou de mexer na mala, ergueu-se e também me olhou. Nos olhos! Nós nos olhamos nos olhos. Rapidamente, diante de um crime evidente, recuei. O homem tinha me visto. Gelei! 


A parede da sala se fechou e achei que tudo estava encerrado. Repeti para mim, várias vezes, que aquilo era um evento do passado. Aquele homem poderia mesmo ter desovado um corpo na represa. Mas, certamente, não haveria motivo para preocupação. Eu havia captado um crime do passado e tudo estava certo. Nada confortável com a experiência, fiz uma oração pela menina morta.


Segui a vida. Após 2 dias, passei por uma banca de jornal. Uma manchete chamou minha atenção. O jornal noticiava o corpo de uma criança, encontrado na represa. Eu conhecia aquela represa. Distava 20 km da minha casa. A data provável do crime coincidia com a minha meditação. E, entre esse evento chocante e o dia de hoje, muito estudo sobre paranormalidade ocorreu. Uma coisa é fato: nunca mais entrei despreparada em estado meditativo.” Guardei essa imagem em minha mente por 30 anos. Ano passado, cheguei a um delegado de polícia e disse: - Dr, eu vi um crime com minha mente. Se eu contar, vou ter problemas?


Ele me acalmou, dizendo que estava prescrito e que eu não tinha provas. Somente tinha a imagem na minha mente.


Esse foi meu primeiro deslocamento consciente. Por anos, fugi da memória daquele olhar desesperado do assassino. Hoje, ele não me assusta mais. Após outros eventos desse tipo, compreendi como aquela janela dimensional se abriu. A energia que me conduziu até a represa foi o medo do assassino. Ele estava apavorado e apressado. Estava no escuro, vestido de terno, com um corpo numa mala, pisando num local úmido e pedregoso. Estava desesperado. O pavor dele gerou uma energia instável. Essa energia instável movimentou o campo magnético de uma fenda temporal. Eu estava passeando pelas fendas temporais e, distraída, entrei no feixe instável gerado por ele. Para mim, o que sobrou dessa história, foi a troca energética entre meus olhos e os olhos dele. Nunca mais esquecerei seu olhar. 

O crime prescreveu e eu aprendi que não existe espaço ou tempo no Universo. Aprendi também que nada pode ser ocultado. Em algum lugar, em algum momento, alguém pode estar te acompanhando em fenda temporal. Os Universos são holográficos e se intercalam.

E, então? Foi paranormal, cerebral ou espiritual? A alma da falecida queria que eu a descobrisse?  Ela queria delatar seu assassino?  Foi autossugestão? Foi um evento quântico?  Houve uma bagunça energética gerada pela mente do assassino? O medo desestabilizou o campo energético? Geramos, juntos, uma bagunça quântica?

O evento ocorreu, o jornal comprovou. O nome dado a isso deixo por sua conta.

ClaudiaVannini




*Para comentar escreva para pegadaastrologica@gmail.com com o título: "O Crime da Mala".

© 2020 - Eu não anoto nada - por Tati Montenegro

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