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Super Bowl!



Eu me divirto no domingo da final da temperada de futebol americano, esporte mais popular no país. Não me pergunte as regras, aliás nunca aprendi as regras do jogo, é como se eu tivesse criado um bloqueio!


Pronto, uma nova meta é aprender mais sobre o jogo, mesmo porque é um jogo de muitas estratégias e isso me interessa!


Se eu acho um esporte perigoso, acho sim, mas acredito que estejam tomando mais precauções para evitar traumatismos cranianos e AVCs no campo, entre outras colisões.


Mas que é um esporte que representa bem os Estados Unidos, isso é sim! O football é bem relevante desde o high school (ensino médio) e os colleges (faculdades), por exemplo, muitas vezes se sobressaem pelo seu time de football, e muitos dos jogos universitários são televisionados, e com alta audiência!


Além do jogo da final que sempre acontece em fevereiro e se chama Super Bowl, a gente espera ansiosamente o show no meio tempo do jogo. O show é sempre de uma pessoa famosa - uma super estrela do mundo da música e entretenimento.


Este ano foi o show do Usher que fez um espetáculo cantando, e com várias coreografias com passos deslizantes, e incluiu vários convidados, entre eles a talentosa Alicia Keys. Os looks são sempre surpreendentes, e o Usher usou também muito bling bling - jóias com pedras preciosas grandes! O halftime show (show do meio tempo) é muito comentado antes e depois do jogo - a repercussão se imortaliza!


Além disso, a expectativa também está em torno dos comerciais durante os intervalos do jogo. Os comerciais são extremamente caros e carregam um senso de humor, por vezes estranho para os estrangeiros. Muita gente não consegue entender ou até gostar dos comerciais do Super Bowl. Eu acho que os comerciais tem a ver com a cultura americana, como as pessoas se relacionam entre si, e com os produtos e o serviços que estão em voga aqui.


Este ano tivemos também comerciais com tom religioso, e apesar de que isso seja muito incomum, acredito que faz-se necessário promover a igualdade e o direto e respeito a fé de cada um. Os comerciais de carro, cerveja, salgadinhos como Doritos e afins, e grandes marcas ícones como Dunkin (antigo Dunkin Donuts) aparecem sempre e com atores e atrizes famosas e trilhas musicais já conhecidas - tudo muito bem amarrado e produzido!


E, no dia seguinte todos comentam sobre o jogo, os times, os comerciais e, claro, o show! E hoje em dia, com a mídia social, os comentários explodem simultaneamente enquanto tudo se passa na TV!


Quando eu comecei a prestar atenção neste domingo há mais de 20 anos, eu me interessei pela agitação sobre o esporte e a animação toda, e porque eu estava aprendendo, mesmo sem perceber, a como fazer parte da vida americana. Eu não tinha como me identificar com nada, afinal eu já era bem adulta quando vim morar aqui. Mas quando eu percebi que o Super Bowl se tratava de um feriado não oficial que envolvia muita comida - o maior consumo de comida depois do Thanksgiving (dia de Ação de Graça), e que dentre a comilança, tinham chicken wings (asas de frango frito), com vários molhos picantes, e se tomava cerveja, eu pensei: “essa festa toda é pra mim”. Simplesmente porque eu era e ainda sou muito muito fã de um frango a passarinho com uma cervejinha gelada lá no meu Brasil.


Para mim eu tinha encontrado algo que se assemelhasse a alguma experiência minha no Brasil e, com esporte na TV! Não se tratava de soccer (futebol brasileiro), mas football (futebol americano).


O futebol americano, os corpos atléticos, pesados e fortes, e o poder de ataque e defesa no campo representam muito a força e o potencial americano. O jogadores são musculosos, com abdômen definidos, e em sua maioria, altos e fortes, e isso tudo se torna um grande atrativo! Uma curiosidade, os jogos são sempre televisionados para o exército americano em seus postos, de guerra ou não. O esporte faz parte da fibra do americano.


Todos conhecem as histórias de filmes em que as cheer leaders e as meninas em geral se apaixonam por um jogador de futebol americano do high school (ensino médio americano)?


Um estereótipo, mas essa dinâmica segue nos filmes, e acontece sim na vida real. E agora mais do que nunca, já que temos a famosa e talentosa Taylor Swift namorando um dos jogadores do time que ganhou pela segunda vez o titulo do Super Bowl. Em outras palavras, o furor se tornou ainda maior! E a audiência também explodiu!


Quero deixar claro que as mulheres, e meninas também são muito fortes e atléticos nos EUA! Eu criei 3 filhas de voz bem ativa! Sou e muito, defensora da mulher!


Continuando - os amigos mais jovens sempre se reuniram nos Sports Bars, aqueles bares com TVs ligadas nos jogos, e as pessoas tomando sua cerveja num ambiente bem descontraído.


Tem algo de Brasil nos Sports bars, e eu sempre gostei talvez porque me lembre do meu pai, do futebol e da cervejinha gelada! Muitas pessoas, famílias amigas sempre se reuniram em casa nesse famoso domingo às 18h, para um Super Bowl Party (festa para assistir ao jogo). Porém, talvez também por outros fatores, mas a Taylor Swift trouxe mais meninas para frente da tela para assistir ao jogo!


Todos precisam retornar para o trabalho e para a escola na segunda-feira, mas o Super Bowl sempre foi e sempre será aos domingos por causa da audiência e da tradição mesmo - Super Bowl Sunday! As lojas ficam mais vazias, até missas, por exemplo, são celebradas num horário mais cedo para que as pessoas possam estar livres para ver o jogo! Muita gente perde ou gostaria de perder o dia seguinte de trabalho, devido ao efeito rebote da farra toda, ou do tempo para retornar da viagem para assistir ao jogo, que este ano foi em Las Vegas! Ah, e ninguém vota para mudar para o sábado!


Trata-se de uma tradição bem forte e bem sedimentada!


E, os outros canais por cordialidade não colocam na grade nenhuma programação que possa competir com o horário do jogo! Ou seja, quase que um horário sagrado!

Este ano o Super Bowl teve a maior audiência da televisão americana desde que o homem pisou na lua!


Eu ainda não tive a oportunidade de ir a um Super Bowl; os preços são muito altos, mas claro, muita gente vai por ter sido convidado por uma empresa ou um patrocinador!

Comemoro então em casa, com amigos, de uma forma muito informal. Eu comprava as chicken wings (frango) e tinha sempre que pedir com antecendência ou ficava sem, mas agora faço em casa com aquele tempero brasileiro da minha mãe - alho, sal, pimenta do reino e depois coloco na Air-fryer para ficar com mais jeitinho de frango a passarinho! Fiz também Chilli (prato mexicano), fiz com carne moída e feijão - meu estômago brasileiro agradece. Deu até água na boca!


Eu sei que minhas filhas e marido se acostumaram com as minhas decorações e comida, e gostam mesmo sem ficar comentando ou elogiando. É quase que americano, e não é brasileiro! rsrsrsrs Eles ganham uma casa com celebrações, e eu achei um jeito de ser e me sentir mais americana, não só no passaporte!


Isso tudo é um processo, como se manter a identidade e desenvolver uma certa plasticidade para aceitar e adquirir novos costumes, e pertencer? Uma dica é observar e driblar as defesas e obstáculos internos, porque os externos a gente não controla mesmo!


Eu já ia me esquecendo de dizer que antes do começo do jogo, o hino nacional americano é cantado! Este ano a escolhida para cantar o hino foi Reba McEntire - grande ícone do música country.


Eu passei a admirar e sentir o hino nacional americano por causa das inúmeras competições esportivas das minhas filhas ao longo de muitos anos onde sempre tocavam o hino, e agora faz parte de mim!


Este ano o Super Bowl caiu no domingo de Carnaval! Eu adoro a energia do Carnaval, e do Brasil em que cresci, e ter criado raízes em outro país me faz fazer parte de algo maior!


Eu estou sempre fazendo essa ponte entre meus dois mundos - mesclando ambas culturas. De certa forma, eu preencho a falta com a celebração de uma nova presença!


O Super Bowl Sunday foi um sucesso na TV e em casa, com frango a passarinho, chilli, guacamole caseiro da amiga, e bolo de brigadeiro caseiro da outra amiga!


Até a próxima!


Rose Sperling

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