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Thanksgiving Day!





Eu adoro o feriado de Thanksgiving!

Minha primeira experiência num jantar de Thanksgiving foi ainda em São Paulo com a minha amiga primeira americana que conheci em férias na Bahia em 1996!


Ela acabou indo morar no Rio de Janeiro depois de um tempo, e em novembro daquele mesmo ano, ela foi passar o feriado de Thanksgiving com sua mãe que estava morando em São Paulo.


Eu, por coincidência, (será que existe coincidência na vida?) morava muito perto da mãe dela. Essa amiga me convidou para um jantar no dia seguinte do Thanksgiving, sexta-feira então, com amigos americanos, e alguns novos amigos brasileiros.


Bom, assim começou minha ligação com os Estados Unidos, e o significado do jantar de Thanksgiving.


Essa amiga, super comunicativa, encantou a todos à mesa, com seu carisma único, comidas típicas americanas e com suas palavras de amor e agradecimento. I am gratefiul for this… I am thankful for that… (Sou grata por isso, e agradeço por aquilo… ) e eu fiquei até comovida!

Podemos dizer que o Thanksgiving é uma data para se agradecer pela fartura de alimentos, uma ocasião para celebrar e cultivar o amor e a união das famílias; um dia para agradecer pela saúde e refletir sobre as coisas boas que acontecem em nossas vidas.


Enfim, o maior feriado nos Estados Unidos, onde as famílias se reúnem independentemente da crença religiosa, com o objetivo de compartilhar momentos gostosos e se reconectar.


Estar presente é o foco desse feriado, e não há a obrigação de trocas de presentes!

Há muitas discussões de quando aconteceu o primeiro Thanksgiving nos Estados Unidos, e conversas controversas sobre a origem histórica dessa comemoração, mas o meu ponto aqui é a união das famílias!

O Thanksgiving cai sempre na quarta quinta-feira do mês de novembro, e em seguida um final de semana prolongado. Trata-se da semana mais ativa em termos de trânsito, voos, compras, muitas filas e tal. É preciso se programar bem para se locomover no país.

O comércio fecha no dia de Thanskgiving, as ruas ficam vazias como em nenhum outro feriado nos EUA! E ninguém quer ou deveria estar sozinho!

Durante anos passei com a família do meu marido, com os irmãos e sobrinhos quando os pais ainda estavam entre nós. Eu adorava comprar vestidinhos da cor da época para as minhas meninas pequenas - cores laranja, marrom, bordô ou um vermelho queimado, ou seja, cores do outono, das folhagens em Nova York. Depois eu comecei a fazer os jantares em casa, e virou minha tradição!

São mais de duas décadas de Thanksgiving, e um ano estávamos no Brasil, e fizemos um jantar na casa da minha irmã com minha família - foi muito gratificante!


Os anos foram passando e um certo ano eu estava novamente no Brasil, mas a agendas não batiam e não consegui fazer o jantar de Thanksgiving, e eu senti muita falta, afinal minha família Sperling segue o calendário americano.


Dito isso, eu me lembro neste momento que uma das minhas filhas falou este ano “Nossa, este Thanksgiving não é bem americano não! Eu paro, escuto e entendo. Marido americano, filhas nascidas americanas, os amigos reunidos com a família americana, e eu sempre convido amigos brasileiros para celebrarem a data conosco, que é uma delicia para todos, mas, de fato, não é “bem americano” - e é isso!


Afinal, quem não tem família por perto vai escolhendo os amigos que formam uma família. No nosso caso, os sobrinhos americanos já casados e com filhos já formaram suas próprias famílias, então, naturalmente eu sou a “ancora” da minha família - é, em casa, que eu crio a base e os momentos de comemorações, e para sempre minhas filhas, meu marido e eu estaremos aqui e ali, ou seja, entre Estados Unidos e Brasil.


Uma escolha minha, porque eu poderia e posso resolver passar os dias na praia, viajar, curtir, mas se faço isso sinto falta deste feriado!

Bom, no dia de Thanksgiving acontece a parade da Macy’s (antiga loja de departamento americana) - um desfile bem elaborado e colorido com balões infláveis de temas e personagens variados.


No dia anterior, as pessoas vão assistir à preparação toda quando enchem os balões. Eu nunca fui ver esse momento no dia anterior e nem a parade, já que tem muita gente na rua e, às vezes, faz muito frio. Eu fico em casa, ligo a TV, enquanto preparo toda a “feast” (celebração com abundância de comida).

Eu gosto de cozinhar o cardápio tradicional, peru assado, stuffing (uma “farofa” americana), vagem com amêndoas, couve de bruxelas, purê de batata, algum prato com batata doce, outro com abóbora, corn bread (bolo de fubá), cranberrry sauce (compota de oxicoco).


Ah, minha filha mais nova faz um Mac & Cheese (macarrão com queijo) delicioso, ela rala todo o queijo, e segue a receita à risca; eu cozinho muito por intuição!


Durante a manhã toda, eu falo com amigas que já moraram aqui nos EUA e trocamos receitas, e eu peço dicas para minha mãe, irmã e cunhada em São Paulo que cozinham muito bem. Isso tudo cria uma ponte entre viver aqui e ter minha base no Brasil.


Entre as sobremesas típicas costumo comprar ou alguém traz apple pie (torta de maca), pecan pie (torta de nozes) e pumpkin pie (torta de abóbora), e sempre com um sorvete de baunilha para colocar sobre as tortas quentinhas.

Sabe, eu não como peru, mas cozinho porque gosto da tradição! Gosto do calor do forno que aquece a casa e acalenta o coração da familia! Eu sirvo o peru no prato que era da minha sogra, e meu marido usa a tesoura que meu sogro usava para cortar o peru.


Isso é, ou pelo menos, era muito comum nas famílias americanas, o homem fatiar o peru. E é assim que acontece em casa, meu marido fatia o peru assado com a delicadeza, habilidade e paciência do cirurgião que é!


Sempre um momento interessante e divertido, e assim vamos criando nossas costumes!

Este ano, um amigo trouxe uma paçoca cearense com carne seca, muito saborosa, e minha amiga trouxe uma torta de frango deliciosa, feita por uma brasileira e passamos o restante do fim de semana com essa diversidade de comida, ou seja, o famoso leftovers do Thanksgiving, ou seja, o que sobrou do jantar, com um toque brasileiro, e com vinho, cerveja e guaraná!

O jantar de Thanksgiving acontece tipicamente num horário bem cedo, por volta das 5 da tarde. Isso pode ser muito estranho para brasileiros já que é tão diferente do nosso costume.


Mas as famílias se reúnem, digamos às 3 da tarde, cada pessoa chega com um prato; as famílias que não se veem o ano todo tem a oportunidade de conversar, sempre tem um jogo ou outro acontecendo, tipo jogo de tabuleiro ou cartas; as crianças das famílias mostram suas habilidades de uma apresentação de dança ou canto, enquanto os familiares reunidos na sala, esparramados no sofá, assistem e assim passam a conhecer melhor a família e se integram.


Estou até sentindo saudades das minhas meninas, fazendo as acrobacias delas na sala dos avós americanos nesta data! Lembrem-se que as famílias americanas muitas vezes, não moram no mesmo Estado; as pessoas, os filhos viajam e muito para chegarem ao local do jantar de Thanksgiving. E isso gera toda a comoção e emoção do feriado.

Bom, depois de toda esse “aquecimento” é que se serve o jantar. Ah, vale lembrar também que na costa leste, onde fica Nova York, por exemplo, escurece às 4h30 da tarde, portanto, às 5 ou 5h30 da tarde quando se serve o jantar não é estranho não, apenas tudo meio que cronometrado como americano gosta. E assim, come-se este cardápio bem pesado, porque a ideia é a de fartura mesmo neste feriado, e depois ainda sobram horas para as convidados voltarem para a casa ou para o hotel, e até para fazer digestão antes de irem dormir.

Este ano, eu resolvi mudar meu dia um pouco, saí com a família para não ficar só na lida rsrsrsrs, e depois participei de jogo hilário de cartas que minhas filhas escolheram, meu marido preparou um Cosmopolitan, drink bem New Yorker com cranberry juice (suco de oxicoco). E isso atrasou o turkey (peru) no forno, ou seja, o jantar saiu às 7h, e foi então que minhas filhas comentaram que estávamos sendo bem Brazilians.


Isso porque, com certeza, as amigas já comentando pelo celular como tinha sido Thanksgiving, e a gente sentando para comer.

O dia seguinte do Thanksgiving é o famoso Black Friday; eu nunca curti sair para comprar neste dia, mas este ano eu resolvi arriscar e saí com as filhas - uma loucura, mas com elas sempre é gostoso, assim passo tempo com elas.


Segunda-feira é a Cyber Monday, mais oportunidade de comprar coisas com descontos online, terça-feira é o Giving Tuesday, dia de doar, espero que essa tradição também chegue ao Brasil.

Não sou assim ingênua, eu sei que vivo no mundo capitalista, que até os feriados servem para gerar dinheiro, e aquecer a economia, mas eu me apego e bastante no “passar tempo com a família.” Afinal, as filhas estão crescendo e criando suas vidas e já tem aspirações próprias, e eu prezo pela união, mantendo a individualidade, claro!

Jantar de Thanskgiving, compras, uma peça de teatro na Broadway, fotos na região do Radio City (casa de shows), vitrines das festas na Saks (loja linda na 5a. Avenida), árvore de Natal tradicional no Rockefeller Center, ou seja, um final de semana repleto de momentos marcantes! E assim, é dada a largada para a época das festas! Happy Holidays aqui e Happy Holidays ali!

Aproveito para dar uma dica, nos Estados Unidos, e principalmente em Nova York onde a diversidade cultural é tamanha, os holiday greetings (os votos de boas festas) mais confiáveis é dizer Happy Holidays, já que o povo tem crenças e tradições bem variadas!

Vou terminando este longo texto dizendo que tentar trazer alegria e senso de pertencimento e comunidade para nossas vidas é uma questão de treino que eventualmente se torna parte de nós! Um treino constante que faz parte de uma manutenção emocional diária!

E estar com a família, amigos com uma mesa farta celebrando a gratidão nos traz prazer e alegria - e o nosso cérebro agradece!

I am grateful for my health! I am grateful for my family and my friends, and I am thankful for the opportunity to write for this site!

Sou grata pela minha saúde! Sou grata pela minha família e meus amigos, e agradeço pela oportunidade de poder escrever para o site EU NÃO ANOTO NADA!


Até a próxima!


Rose Sperling

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