Vivendo no Futuro do Pretérito




O futuro do pretérito do indicativo se refere a um fato que

poderia ter acontecido posteriormente a uma situação passada. É

utilizado também para indicar uma ação que é consequente de outra,

encontrando-se condicionada. Expressa ainda incerteza, surpresa e

indignação. - https://www.conjugacao.com.br


Como pai e, caminhando na minha trajetória de autoconhecimento, me percebi “vivendo” no

futuro do pretérito.


Como assim? Eu me perguntei.


A resposta foi a constatação que boa parte do meu tempo, eu não vivo o presente, mas, sim, em hipóteses de como viveria se as coisas fossem assim ou assado.


Usando como exemplo a relação que tenho com meus filhos, percebi que, todo o tempo, eu

estava julgando se seria melhor se eu tivesse conversado mais com eles, como viveria melhor ou pior se eu tivesse escolhido a escola “X” e não a “Y”.


Essa forma de pensar, de fato, tem me angustiado. Percebi que essa angústia é crescente nos pais que sentem o peso do julgamento social, familiar e patriarcal que vivemos.


Quando estou com meus filhos, fico imaginando as coisas que poderiam ter sido diferentes, e, antes dessa constatação, eu perdia todo o tempo presente com eles, sem contar o tempo

presente comigo mesmo.


Hoje consigo estar 10% presente e 90% ainda pensando em como viveria ou faria. Esse

processo é um treinamento diário de se perceber no agora, e não colocar mais nada no futuro do pretérito.


Com os meninos, esse trabalho de estar no presente tem me ajudado na educação deles,

diminuindo a angústia e a ansiedade que sentem - sem saber que são - , representadas, muitas vezes, por situações como, receber presentes no aniversário ou de Natal; de como será a vida quando fizerem 7 ou 10 anos; da pressão social do que “vai ser” quando crescer.


Nós, pais e mães, já condicionamos, sem saber, os nossos filhos a viverem em um processo de angústia e ansiedade.


Antes mesmo de nascerem, com as nossas angústias de pais, transferimos para o feto (nosso filho) toda a apreensão e agonia que vivemos. Isso é passado de geração em geração e o trabalho que faço com as Constelações Familiares auxilia muito nos rompimentos com esses modelos que seguimos... mas isso e papo para as nossas próximas conversas.


Paulo Faccioni






*clique AQUI para ler mais de Paulo Faccioni

© 2020 - Eu não anoto nada - por Tati Montenegro

  • Facebook ícone social
  • YouTube
  • Instagram
  • Pinterest