Voltei


Maria Tereza De Iullis com novo texto pra marcar sua volta!


A coluna "Fora da Casinha" agora não vai falar só de viagens...vai falar de VIDA! Quem aqui nunca ficou Fora da Casinha um dia..ou dois...ou nem voltou pra ela rsrsrs


Com vocês: "VOLTEI"




Já faz tanto tempo que não escrevo e foi/está sendo difícil voltar…Tenho ensaiado há um tempo mas ainda não tinha encontrado o tema que me motivasse. Aí hoje a Tati Montenegro deu o empurrão que faltava. O texto dela diz tudo que eu gostaria de ter dito, sobre a pessoa que eu era na época do Eu Não Anoto Nada e a pessoa que eu me tornei. E mais do que isso, sobre como as coisas podem continuar sendo as mesmas sem serem. Mudança de perspectiva, de como vemos a vida e o mundo, dependendo do momento em que nos encontramos.


Quando eu era colunista do Eu Não Anoto Nada (E lá escrevi mais de 100 textos, muitos sobre viagens, muitos sobre a vida) estava morando na Bahia, tinha os filhos ainda crianças, trabalhava com turismo, levava uma vida ocupada mas tranquila. Tinha 40 e poucos anos, envelhecer estava longe, os filhos ainda eram totalmente meus, estava tudo sobre controle.


Agora estou em processo de reformulação, como a Tati falou no texto dela. A parte física, caramba, melhor nem ficar comentando demais porque tem coisas que a gente repara mas que para os outros talvez ainda estejam disfarçadas! Damos um tapinha aqui, outro ali, mas é melhor não criarmos grandes expectativas com o espelho e assumir que o tempo passou sim, pra gente e pra todo mundo! E que ficar parecendo jovem demais quando já não somos é, no mínimo, ridículo!


Tem toda uma boniteza em dizer que agora menos é mais e que não podemos mais fazer o que não queremos, que temos que ser mesmo seletivos, que não podemos viver pelos outros e para os outros…Mas nem sempre é fácil, aliás é quase sempre muito difícil, colocar em prática tudo isso. E acho que aí é que está o maior dilema de termos chegado até aqui, sem tantas culpas porque sempre teríamos tempo. Mas já não temos.


E se vivermos somente para nós mesmos estaremos deixando os outros de lado. E amamos os outros. Queremos estar com os outros. Sentimos muitas vezes falta de tantas coisas das quais abrimos mão quando o tempo era infinito e as possibilidades incontáveis.


Há uns anos escrevi: Quanto tempo perdemos e quanto tempo será que vamos continuar a perder? Com excesso de cautela, de proscratinação, de preguiça,…E quando nos damos conta já passaram as chances e o que resta é uma lista não ticada de projetos e hipóteses não tentadas e riscos não corridos. Mas agora isso tudo já não se aplica à mim.


Acho que me aventurei bastante, fiz duas grandes mudanças entre os 40 e os 50. Dei oportunidades de vida para meus filhos que me fizeram abrir mão de muitas coisas que eu já havia conquistado e das quais gostava/estava apegada. Não me arrependo e faria tudo de novo, do mesmo jeito. Mas já não me sinto tão leve com as escolhas como me sentia há alguns anos. Não é culpa, é tristeza mesmo, por não poder estar presente em tantos momentos que vou perdendo e com certeza continuarei a perder. Momentos bons e ruins.


Desabafo sincero para algo que não tem solução. Mas deve ter sossego, espero que tenha. Vou aguardar.


Voltei!


Maria Tereza De Iuliis

© 2020 - Eu não anoto nada - por Tati Montenegro

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