O resgate da bagagem



Esse texto, eu escrevi em 2014. Acho que continua garantindo boa risadas.


"Viajar é uma delícia né? Mas garanto que muitos de vocês tem um certo frio na barriga quando aguardam as bagagens na esteira do aeroporto!


Quem já não passou por algum stress com isso???


Pois bem, já aprendi a não despachar a mala direto ao destino quando há conexão, principalmente se forem companhia aéreas diferentes.... já tive mala viajando a lugares totalmente diferentes de mim.


Isso, muitas vezes, exige um certo preparo físico, pois alguns aeroportos são bem grandes e de um terminal a outro demooooora....e os intervalos entre os voos, obviamente são curtos – obedecendo a Lei de Murphy!


Ok! Tudo teoricamente garantido, mala retirada na conexão, corrida maluca até o check in, a tempo de garantir o embarque da bagagem.


O frio na barriga na esteira, ainda assim, é presente! Começa a girar a esteira, começam a sair as bagagens..... UFA! Avisto a primeira!!! Uhuuuuuuu.....quando, de repente, ela desaparece da esteira!!!


Desespero!


Como assim? Ela tava ali agora! Putz! Alguém pegou por engano!! Só pode ser!


Saio correndo para olhar entre os passageiros ao redor da esteira...nada.... caramba! Já deve ter saído! Saio correndo pelo aeroporto, olhando para todos os lados ao mesmo tempo - ainda bem que era um aeroporto pequeno – percorri todo o andar e nada... TAXI! Quem pegou deve estar na fila do taxi ou entrando em um....saio em disparada... 3 carros sendo carregados! Invado os 3 em busca da minha mala! NADA!


Pensa rápido Tatiana!!!! Onde mais??? Estacionamento!!!! Saio correndo –mais rápido ainda – para o estacionamento. Atropelo um grupo de americanos idosos! Olho todas as bagagens....NADA!


Olho mais a frente e avisto um casal de idade! O marido estava carregando A MINHA MALA!!!


Saio correndo e grito – Hey!!! You have my lugagge!! UFAAAAA!!!! Achei!!! AMÉM!!!


O marido deveria ter quase 90 anos e era a cara do personagem do filme “UP”!


Mas aí começa o motivo para rirem!


O casal, para confirma que estão com a bagagem errada ! Aí a esposa começa a falar – sem parar e gritando – com o marido, um monte de coisas que eu não conseguia entender, mas estava claro que o estava culpando.

Ok. Coloco a mão na minha mala para levá-la comigo e puxo. O marido puxa de volta e grita - Ci siamo scambiati i bagagli!!!!!


Eu perguntei se falavam inglês e disseram que não e eu não falo italiano.... em respeito a idade do casal eu respirei fundo e arranhei meu ítalo-hispanico-português/inglês (adicionado a um certo nervosismo e mal estar – estava com renite/sinusite – leia-se morrendo de dor devido à pressão do avião) e disse: - No scambi! No lo hago cambiato nada! You took my luggage!!!!!!


Esse mix linguístico se seguiu, aos berros, por todo o caminho de volta ao saguão do aeroporto, comigo puxando a mala de um lado, o senhor do outro e a esposa gritando um monte de coisas das quais só distingui o que ela mais repetia :- Imbecile!!!!!!!


Já no saguão, ainda disputando a mala e pronunciando um idioma inexistente, tentamos chamar alguém para nos ajudar a resgatar a mala que eles esqueceram na esteira e convencer o marido a me deixar ir embora.


Um policial, que obviamente não falava inglês, explicou para o casal que teriam que ir ao setor de achados e perdidos e não precisavam de mim para nada porque não houve troca!


Sei lá o que aconteceu, só sei que assim que o marido soltou minha mala eu perguntei para o oficial se poderia ir embora e quando ele disse sim eu saí correndo sem olhar pra trás!


Que nervoso!!! Affffffff!!!!!! Onde já se viu ter que "roubar" a própria mala?


Mas sem essas histórias para contar as viagens não tem graça né? Rssrsrsrrs"


Muita coisa mudou nesses mais de 6 anos. Ainda não falo italiano. Meu inglês s e meu espanhol melhoraram um pouquinho... nunca mais passei por nada parecido. Na estrada para alcançar os 50 eu acho que ia dar a mala como perdida rsrsr.


Mas deu saudades de viajar, mudar de cenário. Ter direito a relaxar, andar despreocupada, sem medo.


É, não sei quando voltaremos a viajar assim. Não sei como seremos ao final dessa pandemia... mas recordar é viver também.


Tá valendo né?


tati






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© 2020 - Eu não anoto nada - por Tati Montenegro

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