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Terremoto!



Rose Sperling:


Ainda estou me sentindo um pouco mareada, resultado de um terremoto que começou em Nova Jersey! Tremeu NYC! Esse é o meu segundo terremoto por aqui!


Só agora que faz quase uma hora do ocorrido que estou me dando conta de que eu estava dentro do elevador quando a terra tremeu, não senti muita coisa, e não contei para ninguém que estava no elevador! Será que meu medo se intensificaria se eu comentasse?


Confirmaria um perigo maior?


Eu estava então mais, ou menos protegida dentro do elevador?


Interessante, mas pensei que estava mais protegida porque senti um balanço muito leve, mas só depois e até pensei estar tendo um leve episódio de labirintite.


Eu saí do elevador no meu andar e tinha uma andadora de cachorros com 3 animais. Ela estava com um semblante bem assustado e dizia “Stay here,” onde ela tinha pendurado a coleira com os cachorros para eles ficarem seguros! Talvez ela tivesse sentido o prédio balançar?


Eu estranhei o olhar dela, mas passei por ela e entrei em casa. Foi aí que me senti meio assim, digamos, enjoada, e me sentei. Peguei o celular e a mensagem de uma amiga de um grupo de WhatsApp perguntando sobre o earthquake. (terremoto), e a partir daí as mensagens no celular explodiram, e liguei a TV!


Só se falava nisso, claro!


Sigo com um certo mal-estar, mas tudo bem!


As pessoas, mais uma vez se assustaram por aqui, ou porque foi uma primeira experiência com terremoto e não se sabe do que se trata até que acabe, ou o susto de quem já tem experiência com algum evento traumático, como por exemplo, o ataque terrorista do dia 11 de setembro quando a terra tremeu em NYC, e nossas vidas ficaram para sempre estremecidas!


Mas isso vou deixar para um próximo texto. A verdade é que todos assustaram!


Uns sentiram a cama balançar, outros o armário e as taças, outros sentiram a rua tremer, ou a janela parecendo estar se desprendendo da parede etc. Os relatos são infindáveis e variados, e de certa forma, muita gente gosta de comentar para poder elaborar o que se passou, e fazer algum sentido.


Enquanto escrevo recebo uma mensagem de texto e o meu coração dispara por causa do volume do alerta.


Segue o LINK para quem se interessa pelo assunto:


E por que meu coração dispara? Imediatamente penso nas minhas filhas e marido em cantos diferentes!


Depois que passa pode até ser interessante saber que se passou por uma experiência de fenômenos da natureza com os quais não somos muito acostumados, principalmente vindos do Brasil!


Mas eu confesso que prefiro não passar pela experiência - já passei por 2 terremotos aqui em NYC, e esse balançar da Terra, sem controle algum nosso me amedronta sim!


Contar depois até é interessante!


Eu sentei para refletir, e respirar!


As pernas ficaram bambas durante um tempo, e eu estava processando todas as experiências e relatos!


Surgem os rumores de que mais um terremoto está por vir, mas, na verdade, são os aftershocks (o abalo secundário com o movimento das placas tectônicas).


As conversas agora é se vai ter outro ou não? Mas até onde eu sei não se pode premeditar a ocorrência de um terremoto! Os aftershocks que podem ocorrer no mesmo dia, ou nos próximos dias e até meses subsequentes a um terremoto.


Não sou expert de forma alguma, então não vou me estender no assunto .


Recebemos alertas do ocorrido no telefone, mas não para se desesperar, apenas para se prevenir sobre o que fazer após um terremoto.




E a família no Brasil se preocupa e diz “Vem para o Brasil! Sai daí”! rsrsrsrs


Eu comentando com uma amiga, "Meu segundo terremoto aqui", e ela: “Mas o outro foi fraco ...”


Foi em 2011, em Virgínia, de uma magnitude maior do que este último terremoto. Eu tinha filhas pequenas, e a sensação foi bizarra, pois tremeu tudo dentro de casa como nunca visto e sentido por mim. Eu não estou competindo, só estava me lembrando das minhas experiências inusitadas, e pouco prazerosas, mas interessantes, em NYC!


Aliás a primeira vez que ouvi de perto sobre terremoto nos EUA foi quando fui conhecer uns parentes em Los Angeles em 1998. Os armários superiores da cozinha tinham umas travas, e eu perguntei “child safety locks up there?” (Travas para proteção para as crianças não abrirem lá em cima?) E eles “no, these are in case of earthquakes” (não, essas travas servem para casos de terremotos para que as louças não caiam). Eu pasmei! Eles sorriram e me deram uma aulinha sobre o que fazer no caso de terremotos. Mais um assunto original para a novata no país!


Depois do terremoto fica aquela sensação esquisita - o que será que aconteceu? Mas aconteceu mesmo?


Sim, tremeu!


E agora às 6 da tarde, tremeu de novo! Eu estava onde? No elevador!


À noite, tive um jantar de aniversário, e a primeira pergunta foi: Did you feel it? Where were you at the time?

(Você sentiu? Onde estava no momento do terremoto?)


E eu passo a pergunta para a nossa ANOTADORA Isabel Coutinho: “Você sentiu? Onde você estava no momento”?


Isabel Coutinho:


"Alguém sentiu uma lufada de vento muito forte ou sentiu a terra tremer”? - disse a corretora de imóveis assustada saindo da casa que estávamos visitando na nossa busca por um novo lar.


Ela estava pálida e contou que, logo ao adentrar a casa, sentiu tudo tremer. Estava assustada tentando achar uma explicação para o ocorrido. Eu tinha acabado de sair da casa e estava na calçada. Não senti nada. Tentamos ali pensar em algumas hipóteses para o ocorrido – “será que os outros visitantes não abriram a porta de trás da casa?”, mas nada parecia fazer sentido. Cheguei a perguntar, discretamente, se a moça era uma sensitiva, com receio de que a casa que estávamos vendo poderia ter algum tipo de assombração, mas ela disse que não.


Eu com a minha mania de buscar sinais do universo logo levantei minhas anteninhas, pensando, “será isso um sinal para não comprar essa casa?”.


As crianças estavam já no carro e, quando entramos, elas contaram que tinham sentido a terra tremer.


Imediatamente, mensagens começaram a apitar nos grupos das amigas brasileiras, cada uma contando a sua versão da história.


Nos sites de notícia, logo apareceu a confirmação: um terremoto tinha acabado de ocorre em New Jersey e pôde ser sentido por muitas cidades e estados ao redor. Quis voltar para avisar a corretora e tranquiliza-la – não, você não está louca, acabou de acontecer um terremoto – mas já estávamos atrasados para a próxima visita e decidimos seguir em frente.


Depois disso, vimos mais três casas e, em todas, o assunto era o mesmo, como observou a querida Rose: “Você sentiu? Onde estava?”. Como a Rose contou, começaram a chegar histórias das mais diversas.


O irmão dentista que estava atendendo um paciente e achou que o prédio estava desabando sobre ele. A moça que achou que estava desmaiando. A confusão no escritório onde os quadros da parede tremeram e todo mundo saiu correndo. A senhora que pegou a bolsa e o passaporte e desceu para o térreo.


E o comentário melhor de todos, que descreve exatamente como muita gente se sente por aqui: “É terremoto, é eclipse! Fim do mundo sempre começa em NY nos filmes”. O fato é que, quando acontece alguma coisa em NY, é quase impossível não pensar no pior. A Rose, que está aqui há tanto tempo, pode falar mais sobre isso.


Mas, para mim, o mais interessante foi quando uma amiga que estava viajando comentou que gostaria de ter estado aqui para ter vivido a experiência. Disse que se sente extremamente atraída pelos fenômenos da natureza e que gosta da adrenalina de vivenciar situações extremas.


A resposta me surpreendeu. Porque o mais esperado – pelo menos para mim - seria que ela dissesse “ainda bem que eu não estava aí!”. Mas não! Apesar do comentário dela ter me chamado a atenção, foi só com a proposta da Rose de escrevermos juntas esse texto que decidi ir um pouco mais a fundo. E advinha o que descobri? Que eu também gosto de viver momentos extremos! Por mais bizarro que isso possa parecer.


Gosto do senso de comunidade que, quase imediatamente, se acende dentro das pessoas e começa a se revelar em telefonemas e mensagens de preocupação. Gosto da sensação de, pelo menos por alguns instantes, compartilhar os mesmos sentimentos, medos, apreensões com os que estão ao meu redor. Gosto de ver as pessoas mais abertas ao contato, mais dispostas a olhar para o lado e conversar sobre o ocorrido.


Ontem mesmo, conversei com tanta gente, tanta gente se lembrou de mim! Gosto do humor que nunca falha e que, além de fazer rir, demonstra resiliência, força, criatividade.


Os memes e piadas sobre o terremoto surgiram quase que instantaneamente por toda a internet! E foram muito engraçados...


Gosto de fato de viver uma experiência que me une e me iguala aos que estão ao meu redor. Como num show de rock onde a música surge como elemento supremo que une a todos sem distinção. Todos cantam juntos, olham para o mesmo lugar e estão, pelo menos por alguns instantes, na mesma sintonia, dividindo aquela experiência que jamais poderia ser vivida individualmente.


A magia que só este tipo de experiência compartilhada pode promover é algo que me encanta e me faz sentir mais humana, mais real e menos solitária. Estes momentos me fazem lembrar que, quando as pessoas se unem, coisas mágicas acontecem.


É claro que o susto e o medo também estão presentes! Sim, esses momentos são aterrorizantes, trazem angústia, dor, sofrimento. Todos nós sabemos muito bem disso, depois dos meses de isolamento e incertezas que passamos há um tempo não muito atrás.


Mas gosto de pensar que eles aparecem por uma razão, talvez como um lembrete necessário do universo – ainda que em letras maiúsculas e trilha sonora retumbante – para nos ajudar a colocar a vida em perspectiva e não esquecer daquilo que realmente nos importa e nos faz levantar da cama todos os dias...


E você, leitora? Já passou por algo assim?


Vem compartilhar sua experiência e nos ajudar a continuar esta história.


*Envie sua história para: tatimontenegro74@gmail.com


Rose Sperling & Isabel Coutinho

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