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Um dia sem fim...




Comecei o dia com um motociclista se jogando em cima do meu carro e quase me matando de susto.


Em seguida uma tentativa de invasão, por um hacker, na minha conta bancária e daí se seguiram problemas no trabalho, pessoais, familiares de sorte que, no final da manhã , já estava em meio aos escombros porque quase o mundo inteiro tinha caído sobre minha cabeça. Por volta das 13 horas, fui avisada, pela porteiro do prédio onde trabalho, que havia uma pessoa querendo falar comigo, fazendo um alvoroço na recepção.


Desci para falar com a referida pessoa, a qual se tratava de uma mulher, acometida por uma doença mental após o puerpério para qual o INSS negou o benefício previdenciário, alegando falta de carência. Ao invés de se insurgir contra o INSS, ajuizou ação alegando que a doença era ocupacional, tentando responsabilizar seu ex empregador, para o qual eu advogava.


A ação, logicamente, foi improcedente, mas, comovida com a sua situação da criatura, orientei o seu advogado, um jovem recém graduado, quanto aos caminhos que deveria trilhar para obter o benefício e amparar sua cliente.

O problema foi que, desde o início da Ação ela passou a nutrir um ódio inexplicável por mim e a me culpar por todo e qualquer infortúnio que acontecia em sua vida.


Quando então cheguei à portaria para tentar conversar com ela, fui recebida por sua fúria incontrolável que a fez pular o balcão e me alcançar dentro do elevador, de maneira que somente estou aqui hoje para contar a estória porque um segurança, conseguiu ,com muito esforço, imobiliza-la e pude correr.

Passado o desespero, porém ainda muito nervosa, peguei minha bolsa para ir embora, quando um colega de trabalho, tentando me tranquilizar, disse: - Claudia , vai pra casa mesmo, descansa , conversa um pouco com Deus.


Indignada respondi: - Hoje Deus é quem deveria vir falar comigo, para me explicar por que resolveu deixar as coisas que poderiam acontecer de forma parcelada, ocorrerem todas em um só dia.


Peguei o carro em direção á minha casa, transtornada!


Parei no sinal, vi vindo em minha direção, um vendedor que conheço há anos e de quem sempre compro frutas, para dar uma força.


Com um pacote nas mãos, roxo de sol, bateu no vidro. Abri um dedo, sem paciência, afinal não queria comprar, falar, não queria nada além de ficar em paz.


E ele gritou: - Dona Claudia, não é pra vender nada não. É que vi isso na Feira hoje de manhã e lembrei da Sra, é presente, aceite, é de coração !


Então me deu um saco, com uns 6 jambos daqueles bem maduros!

Cai em prantos...o sinal abriu, saí, deixando o pobre do vendedor sem entender que naquele dia ele foi Deus que veio falar comigo para dizer que meu dia ainda não havia terminado !!!


Claudia Lacerda

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